Interrompemos a programação normal para…

Publicado: 19/06/2011 em Marcelo

Tem um dia, ou vários, na vida em que a gente pensa que conheceu mais gente ruim do que boa ao longo dos anos. Particularmente neste últimos dois anos tive uma overdose de maldade à minha volta. Gente que não vale nem a merda que seu corpo rejeita.

Ao vir morar em uma cidade pequena (para uma capital) não tinha noção do que veria e ouviria por estas bandas. O que me chama a atenção todos os dias é a proximidade muito maior com o poder, políticos, política, corrupção. Não que aqui tenha mais ou menos. É mais próximo dos mortais, só isso. É nosso vizinho, colega de trabalho, talvez até um “amigo”. No Rio de Janeiro estas coisas estão muito longe do nosso cotidiano. Ficamos sabendo, quando a Globo deixa, apenas pelos jornais. Isso talvez explique a decadência gigantesca da cultura daquele estado. Uma pequena minoria ainda faz força para mudar alguma coisa do status quo. Ficamos (sim, me incluo, já que vivi lá por 40 anos) todos anestesiados pela banalização de tudo que é ruim, violência, televisão, neuroses, falta de respeito, etc.

E como nem só de gente ruim a vida nos cerca, ao longo da vida vamos colecionando alguns poucos espíritos do bem, pessoas que passam por ela com maior ou menor intensidade. Nos anos 80, quando fazia parte da banda Hojerizah, tive o prazer de tornar-me amigo de uma pessoa das mais amorosas que conheci em meus 49 anos de vida. Por um descuido, mais um, das leis do universo eis que ontem fico sabendo que este grande amigo perdeu o filho de 2 anos de idade em um acidente de helicóptero.

Não há como diminuir a dor de uma pessoa que passa por isso, não é um telefonema, um e-mail, um ombro para chorar  que vai conseguir expressar o que sentimos e, aliviar um pouco a dor do outro. Nem sabemos muito bem o que sentimos, quiçá o que dizer. É um grande vazio para todos. Uma tragédia que não faz sentido, como geralmente elas são.

E não há quem num momento destes não pense: com tanta gente ruim no mundo, porque o filho dele, qual a moral disso tudo?

Infelizmente interrompi o silêncio deste blog nos últimos meses para uma notícia ruim, mas este pensamento ficou rondando meu sono a noite toda e resolvi deixar aqui o meu “apoio espiritual” ao Bruno. Um dia ele é capaz de ler. Nem desejo que seja em breve.

 

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