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	<title>Recuerdos de Ypacarai</title>
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	<description>Diário de um migrante</description>
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		<title>Recuerdos de Ypacarai</title>
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		<title>Na fila do Primavera.</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jul 2011 03:18:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena 1: 5 e pouco da tarde, programa do Huck. Duas pessoas submetem-se ao ridículo de ensaiar por horas e depois dublar Grease. O quadro também dura uma eternidade e depois de contar a sexta repetição da música, pode-se chegar ao suicídio no saguão do hospital, conveniente. São especialistas, coreógrafos, produção, figurantes&#8230;tudo isso para o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=134&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Cena 1</strong>: 5 e pouco da tarde, programa do Huck. Duas pessoas submetem-se ao ridículo de ensaiar por horas e depois dublar Grease. O quadro também dura uma eternidade e depois de contar a sexta repetição da música, pode-se chegar ao suicídio no saguão do hospital, conveniente. São especialistas, coreógrafos, produção, figurantes&#8230;tudo isso para o casal ter um CHEVETTE transformado em um carro velho de paraíba.</p>
<p><strong>Cena 2</strong>: São dois dias com asma, o corpo dói, a cabeça dói, de tanta força feita. É como uma sessão de ginástica depois de 20 anos parado.</p>
<p>Existe uma triagem, onde a enfermeira decide se teu caso é urgente ou você pode mofar. De quase 30 pessoas ali a única com cara de estar sofrendo mesmo sou eu. O resto é uma fungada aqui, uma unha encravada ali&#8230;</p>
<p>Fui o último a ser atendido. Lógico. Até os que chegaram depois de mim entraram.</p>
<p>Ou seja, nenhum filho da puta naquele hospital tem asma ou parente com asma para saber o que é prioridade. Numa crise destas, cheio de remédios que aceleram, o coração pode explodir.</p>
<p>Depois de observar bem, eu e minha mulher chegamos a conclusão que feiúra tem prioridade no atendimento. Deve ser plantão do cirurgião plástico também.</p>
<p><strong>Cena 3</strong>: Próxima atração no Huck &#8211; Exaltasamba.</p>
<p>E o pulso ainda pulsa.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/134/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=134&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Interrompemos a programação normal para&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 17:15:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Tem um dia, ou vários, na vida em que a gente pensa que conheceu mais gente ruim do que boa ao longo dos anos. Particularmente neste últimos dois anos tive uma overdose de maldade à minha volta. Gente que não vale nem a merda que seu corpo rejeita. Ao vir morar em uma cidade pequena [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=129&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem um dia, ou vários, na vida em que a gente pensa que conheceu mais gente ruim do que boa ao longo dos anos. Particularmente neste últimos dois anos tive uma overdose de maldade à minha volta. Gente que não vale nem a merda que seu corpo rejeita.</p>
<p>Ao vir morar em uma cidade pequena (para uma capital) não tinha noção do que veria e ouviria por estas bandas. O que me chama a atenção todos os dias é a proximidade muito maior com o poder, políticos, política, corrupção. Não que aqui tenha mais ou menos. É mais próximo dos mortais, só isso. É nosso vizinho, colega de trabalho, talvez até um &#8220;amigo&#8221;. No Rio de Janeiro estas coisas estão muito longe do nosso cotidiano. Ficamos sabendo, quando a Globo deixa, apenas pelos jornais. Isso talvez explique a decadência gigantesca da cultura daquele estado. Uma pequena minoria ainda faz força para mudar alguma coisa do status quo. Ficamos (sim, me incluo, já que vivi lá por 40 anos) todos anestesiados pela banalização de tudo que é ruim, violência, televisão, neuroses, falta de respeito, etc.</p>
<p>E como nem só de gente ruim a vida nos cerca, ao longo da vida vamos colecionando alguns poucos espíritos do bem, pessoas que passam por ela com maior ou menor intensidade. Nos anos 80, quando fazia parte da banda Hojerizah, tive o prazer de tornar-me amigo de uma pessoa das mais amorosas que conheci em meus 49 anos de vida. Por um descuido, mais um, das leis do universo eis que ontem fico sabendo que este grande amigo perdeu o filho de 2 anos de idade em um acidente de helicóptero.</p>
<p>Não há como diminuir a dor de uma pessoa que passa por isso, não é um telefonema, um e-mail, um ombro para chorar  que vai conseguir expressar o que sentimos e, aliviar um pouco a dor do outro. Nem sabemos muito bem o que sentimos, quiçá o que dizer. É um grande vazio para todos. Uma tragédia que não faz sentido, como geralmente elas são.</p>
<p>E não há quem num momento destes não pense: com tanta gente ruim no mundo, porque o filho dele, qual a moral disso tudo?</p>
<p>Infelizmente interrompi o silêncio deste blog nos últimos meses para uma notícia ruim, mas este pensamento ficou rondando meu sono a noite toda e resolvi deixar aqui o meu &#8220;apoio espiritual&#8221; ao Bruno. Um dia ele é capaz de ler. Nem desejo que seja em breve.</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=129&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Para todos meus amigos</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 20:26:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=117&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ypacarai.files.wordpress.com/2010/12/image001.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-118" title="2011" src="http://ypacarai.files.wordpress.com/2010/12/image001.jpg?w=614&#038;h=409" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/117/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/117/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=117&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pois então&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 20:13:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=101&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ypacarai.files.wordpress.com/2010/12/99.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-111" title="Madruga" src="http://ypacarai.files.wordpress.com/2010/12/99.jpg?w=430&#038;h=430" alt="" width="430" height="430" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/101/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=101&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carta do Alan</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Dec 2010 13:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Minha reflexão de Natal, este ano, é sobre a Morte, com quem me reconciliei. Sim, a morte! Jesus não teria feito tanto sucesso se tivesse apenas escrito um livro, e não tivesse armado sua própria morte. Pensei, também, nos amigos que perdi durante estes últimos anos (que continuam andando, respirando, vivos), e na facilidade com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=107&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Minha reflexão de Natal, este ano, é sobre a Morte, com quem me  reconciliei. Sim, a morte! Jesus não teria feito tanto sucesso se tivesse apenas  escrito um livro, e não tivesse armado sua própria morte. Pensei, também, nos  amigos que perdi durante estes últimos anos (que continuam andando, respirando,  vivos), e na facilidade com a qual nos tornamos cadáveres e assassinos uns com  relação aos outros, por uma besteira, uma palavra mal colocada, uma armadilha  psicológica qualquer. &#8220;Fulano(a) <span style="text-decoration:underline;">morreu</span> para mim!&#8221;. &#8220;Tomara que morra!&#8221;.  &#8220;Já vai tarde!!!&#8221;</div>
<div>Nossa, quantas vezes ouvi isso! Nossa, quantas vezes <span style="text-decoration:underline;">eu</span> disse isso!  Com que facilidade &#8220;rifamos&#8221; um amigo, e somos &#8220;rifados&#8221; por eles!</div>
<div>Por favor, não pensem que estou depressivo. Percebo-me, aqui, um tanto  cristão, já que descubro que a Morte não é mais a grande vilã, como tendemos a  considerar durante a vida inteira. Ela é, sobretudo, uma grande libertadora das  maiores dores qure fazem parte da vida neste mundo. Então, resta somente uma  Grande Vilã: a velha e consagrada Estupidez Humana. Esta sim, continua sendo a  Grande Inimiga, que tem que ser vencida.</div>
<div>
<div>A TV está ligada, ouço um Pastor berrando que Jesus venceu a Morte.  &#8220;Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem&#8221;! Caraca, como fazem sentido estas  palavras agora!</div>
<div>Que consigamos todos, com paciência e muito exame de consciência, sermos  mais tolerantes,</div>
</div>
<div>com ajuda da luz da compreensão, vencer a Verdadeira Inimiga. Em época de  materialismo e objetividade extremos, que consigamos desejar uns aos outros, com  sinceridade, felicidade e, sobretudo, Prosperidade Espiritual. Acho que este é o  Amor a que JC se referia.  Estes são os meus votos. Feliz Era Nova!</div>
<div>Com muito carinho,</div>
<div>Alan</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=107&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Simples assim</title>
		<link>http://ypacarai.wordpress.com/2010/12/21/simples-assim/</link>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 17:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouvimos a vida inteira que as coisas boas da vida estão na simplicidade das mesmas e, nada é mais simples do que o prazer ao comer. É um dos sentidos que possuímos, não pagamos nada por ele e além disso também é prazeiroso educar este sentido, brincar com ele e, às vezes, deixá-lo nos levar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=102&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ouvimos a vida inteira que as coisas boas da vida estão na simplicidade das mesmas e, nada é mais simples do que o prazer ao comer. É um dos sentidos que possuímos, não pagamos nada por ele e além disso também é prazeiroso educar este sentido, brincar com ele e, às vezes, deixá-lo nos levar por caminhos misteriosos.</p>
<p>Aqui em Aju city existe uma variedade razoável de opções para qualquer gosto, mas até agora a grande maioria das coisas que tivemos que nos ajoelhar para comer foram de comidinhas simples, besteiras, petiscos e outras coisas que entopem nossas veias mas abrem nosso sorriso.</p>
<p>No Shopping Jardins por exemplo tem o Dias Café, que serve duas delícias a um preço tão barato que a gente duvida. <em>Toxtex Especial</em> é uma delas. Feito no pão Jacó (o nome aqui é diferente e por estas bandas foi provavelmente batizado por um judeu francês) com Queijo do Reino, Muzzarela e Molho Inglês. Belíssimo. A segunda iguaria é uma daquelas coisas que nunca pediríamos num &#8220;restaurante&#8221;. Atende pelo nome pomposo de <em>Fatias Douradas do Porto</em> e nada mais é do que uma rabanada metida a besta, porém de uma bestialidade genial. É no pão Francês/Jacó (o que já diferencia) e regada ao Vinho do Porto. É tão bom, mas tão bom, que resolvemos fazer em casa. Não ficou a mesma coisa porque aqui não consigo comprar açucar que não o cristal.</p>
<p>Temos feito, nestes quase oito meses, uma pesquisa muito séria sobre o pastel de queijo (como vocês já sabem, Ms. Larrosa não se alimenta de nada que voe, nade ou ande sobre quatro patas) e como aqui pastel é que nem cajú, tenho para mim que esta pesquisa só terá fim com um infarto fulminante.</p>
<p>Dois lugares, até agora, merecem citação: o Pastel do Sol, na Atalaia (local inclusive em que assisti ao Tricolor ser Tri-Campeão !!), com umas combinações bacanas e exóticas. A massa é muito boa e nos ajoelhamos ao comer o pastel de brigadeiro com nozes, outra receita já incorporada no âmbito domiciliar porém, como tudo, não é perfeita.</p>
<p>E, campeão dos campeões até a presente data, o pastel de queijo do Bar da Taradinha. Sim, é este nome. Fica em Areia Branca (ou Zenza, como prefere a geração Woodstock daqui, à qual me incluo), é um boteco na beira da rua de areia, também conhecido por cariocas como birosca. Como se vai parar num lugar destes? Levado por alguém da área ou um sócio-atleta, como nosso amigo Rangel.<br />
Mas o melhor talvez nem seja o pastel, e sim a simpatia do Carioca (o homem por trás da massa e preparo dos mesmos) e da própria Taradinha, uma figuraça com astral acima do Olimpo. De quebra, uma vitrola rolando de mpb e reggae a Hendrix com a maior naturalidade.  Depois disso tudo e com a cervejinha no ponto certo, só resta andar umas centenas de metros e dar um tchibum no rio.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/102/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=102&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Então eles partiram.</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 17:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por um mês tivemos a companhia de um ninho de bem-te-vis bem em frente às nossas janelas. Passamos por experiências diversas em relação a ele, desde que nos mudamos. Inicialmente achando que estava inabitado, depois vendo que um pássaro adulto usava o ninho, descobrir que existia um filhote dentro, depois que era mais de um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=96&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://ypacarai.files.wordpress.com/2010/11/imgp2823a.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-97" title="IMGP2823a" src="http://ypacarai.files.wordpress.com/2010/11/imgp2823a.jpg?w=640&#038;h=475" alt="" width="640" height="475" /></a>Por um mês tivemos a companhia de um ninho de bem-te-vis bem em frente às  nossas janelas.<br />
Passamos por experiências diversas em relação a ele, desde  que nos mudamos. Inicialmente achando que estava inabitado, depois vendo que um  pássaro adulto usava o ninho, descobrir que existia um filhote dentro, depois  que era mais de um filhote, ouvi-los gritando por comida, conseguir vê-los,  fotografar&#8230;acompanhamos de perto todo o início de 4 vidas que nem sabemos  quanto tempo duram.<br />
Até que esta semana eles estavam grandes, quase do  tamanho dos pais, e rezávamos para testemunhar o primeiro vôo. Não demos  sorte.<br />
Hoje pela primeira vez não acordei com os chamados estridentes das  crias por comida. Eles finalmente foram buscar a sua comida e não há mais vida  no ninho.</p>
<p>Meu desejo é que sejam como as tartarugas marinhas, que voltem  ao seu local de nascimento quando for a hora deles assumirem a responsabilidade  de gerar mais bem-te-vis.</p>
<p>Me senti meio estranho, como se tivesse perdido  algo querido.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/96/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/96/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=96&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>24</title>
		<link>http://ypacarai.wordpress.com/2010/10/21/24/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 22:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Estive no Rio por 24 horas, em um compromisso meio hediondo no forum. Não tive como escapar mas no final das contas arrecadei mais alguns trocados da Oi. Este povo parece que adora mesmo ser processado e, principalmente, perder as ações. Nada vultuoso, mas pagou a passagem e sobrou um troco. Portanto meus queridos amigos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=92&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estive no Rio por 24 horas, em um compromisso meio hediondo no forum. Não tive como escapar mas no final das contas arrecadei mais alguns trocados da Oi. Este povo parece que adora mesmo ser processado e, principalmente, perder as ações. Nada vultuoso, mas pagou a passagem e sobrou um troco.</p>
<p>Portanto meus queridos amigos cariocas, antes que me xinguem por não ter entrado em contato, lembrem-se: foi apenas um dia aí. Neste dia tive que conciliar a tal audiência, uma ida ao médico, ver meus filhos (está cada vez mais lindo o meu João) e dormir. Pouco, mas o suficiente para ouvir o alarme.</p>
<p>Os únicos amigos que encontrei foram Alvaro e Táta, lá no &#8220;<a href="http://www.dacasadatata.com.br" target="_blank">Da Casa da Táta</a>&#8220;. Isso foi fim de noite e acabamos ficando por lá (com a presença enriquecedora do Felipe, o filho mais velho que a cada encontro me dá mais motivos para amá-lo mais e mais) até as 3 da matina. É sempre bom revê-los, meu quase irmão e minha quase cunhada são garantia de papo inteligente e variado por muitas e muitas horas. Se não fosse o vôo de volta cedo, estaria até agora lá.</p>
<p>Esta ida foi meio doida, a começar pelo itinerário. Como só tive certeza que era obrigatória minha presença na audiência uns 4 dias antes, a passagem daqui para o Rio era proibitiva na minha atual situação (ou em qualquer outra). Eis que meu irmão me deu um idéia pelo telefone que acabou sendo a salvação. WebJet. Entonces, por 1/8 do preço da Gol pude elaborar o plano de viagem, saindo de ônibus de Aracaju pela <em>linha verde</em> até Salvador, repetindo o mesmo na volta. A viagem acabou sendo cansativa mas ao mesmo tempo muito mais prazeirosa.</p>
<p>Para começar, os baianos. Ou melhor, as baianas. Que mulheres lindas você encontra a cada movimento de cabeça. Me deu um orgulho danado ver aquelas negras, mulatas e outras peles mais claras usando os seus afro-cabelos em sua forma original. Sem chapinhas, descolorantes, gumex e outras coisas. Algumas me lembraram os tempos do Black Power, sem aquela armação toda. Mais casual, meio despenteado de propósito, lindos cabelos. Lindas mulheres.</p>
<p>Outra coisa que achei bacana foi o aeroporto, talvez o mais bem acabado dos que conheci nas capitais brasileiras. Lojas um pouco menos óbvias  com produtos de melhor qualidade visual e matéria-prima. Ainda para turistas, mas sem agredir nossa vista. Um show em relação ao aeroporto carioca, por exemplo.</p>
<p>Ao chegar ao Rio, forum. Então tive a certeza que 50% das mulheres maravilhosas cariocas, nascidas depois de 1980, são advogadas (lá vi poucas com mais idade que isso). Que deleite visual. Para um senhor da terceira idade era muito movimento de pescoço para um só dia. Mas fiz o sacrifício.<br />
Todas muito elegantes em seus terninhos, conjuntinhos, sapatos baixos, sapatos altos, pouquíssima ou nenhuma maquiagem, enfim, me orgulhei de novo das mulheres do meu país. Nada que me faça votar em uma este mes, porque este departamento não me traz orgulho algum.</p>
<p>Depois desde terrível compromisso, em que fui obrigado a ver tanta gente bonita e ainda receber por isso, parti de volta a zona sul. Mais precisamente Visconde de Pirajá. Quem mora no Rio sabe do que estou falando. Nesta rua você vira literalmente um ventilador Faet. Não dá para olhar para tantas pessoas bonitas a não ser que você  dê uma de louco.<br />
Receita: coloque uma cadeirinha na calçada, ferva uma água, saque a bomba, a cuia e te abanque indio véio, tomando um chimarrãozinho e admirando as chinocas. Uma coisa que chama sempre a atenção: não importa o status econômico da pessoa, a opção é sempre por conforto. Muita sandalia hawaiana, brasileira, vestidos largos ou não, jeans, sensualidade, simplicidade. Pode ser a uma atriz global, uma empresária em horário livre, uma estudante universitária, não importa. O que vale é não ligar para o que os outros pensam da sua roupa. Óbvio que isso tudo é uma grande mentira. Sentado na minha cadeirinha pude observar que até a hawaiana é meticulosamente escolhida. E por último o melhor dos melhores, só as prostitutas se vestem como tal. Afinal elas tem que se diferenciar do resto de alguma forma, porque na beleza, em Ipanema, é difícil.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/92/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=92&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Digressões domésticas</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2010 01:09:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo]]></category>

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		<description><![CDATA[Em véspera de eleição, estou longe do meu domicílio eleitoral, então não preciso me preocupar com qual representante desta escumalha vou colocar lá para continuar nos roubando. Se é o vampiro-tuiteiro, a que matava por ideologia ou a evangélica, não me importa mais. Aposentei meu voto depois do que o barbudo e sua gangue nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=86&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em véspera de eleição, estou longe do meu domicílio eleitoral, então não preciso me preocupar com qual representante desta escumalha vou colocar lá para continuar nos roubando. Se é o vampiro-tuiteiro, a que matava por ideologia ou a evangélica, não me importa mais. Aposentei meu voto depois do que o barbudo e sua gangue nos aprontaram, eu que levei 15 anos tentando elegê-lo e mais 8 me arrependendo. Mais tempo que meu filho mais velho tem de vida.</p>
<p>Neste sabadão sertanejo então, sem ter que pensar qual sigla vou xingar nos próximos 4 ou 8 anos, deixei a mente me levar para pensamentos tolos que não trazem nada de muito enobrecedor para minha biografia, mas também não machuca os outros. Tais quais:</p>
<p>- Deviam dar um nobel para o cara que inventou a rosca no cabo de vassoura. Já imaginaram quanta madeira se economiza hoje em relação aos milhares de anos anteriores? Poucas coisas eram menos duráveis que uma vassoura, até que inventaram as cerdas sintéticas. Mesmo considerando que o cabo sempre se quebra, pelo menos quando não, não se joga fora o conjunto, só a parte careca. Não é um gênio? Nobel de ecologia (quando criarem), no mínimo.</p>
<p>- Quando uma pessoa amarra o rabo de um cavalo, será que ele pensa: &#8211; opa, vou ficar bonito com este rabo de humano.</p>
<p>Sim, porque de onde tiraram que isso é um rabo de cavalo? Existiu na face da terra, em algum momento, um &#8220;horse hair designer&#8221; que criou especialmente este &#8220;penteado&#8221; para o cavalo do Cochise, Atila, Marco Antonio? Com que intuito? Dar uma disfarçada no fiofó mal cheiroso do bicho?</p>
<p>Por falar nisso, hair designer é a puta que o pariu. Vai olhar no dicionário (alemão, ok?) o significado da palavra design para entender que o que vocês fazem pode ser muito bacana, salvar algumas feias, embarangar umas (muitas) de mau gosto, mas design não é, nem aqui nem onde o Bruno Porto mora. Inclusive, para ser designer, TEM que ter sido aluno do Bruno Porto. Se não me engano a matéria é Galhofa II, a I é dada pelo Martinez e é um pouco mais séria.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/ypacarai.wordpress.com/86/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/ypacarai.wordpress.com/86/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=86&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pela cidade</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 15:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Larrosa</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Paletós encharcados, guarda-chuvas e crianças brincando faziam parte do cenário onde dois personagens desempenhavam o seu papel: a chuva torrencial e eu. A nossa desavença era visual, qualquer estúpido percebia a diferença entre a sua força, imponência, capacidade de incomodar, e a minha fraqueza, aspecto mendicante e capacidade de odiar. Não só aos estúpidos. Paletó [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=ypacarai.wordpress.com&amp;blog=13481487&amp;post=80&amp;subd=ypacarai&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paletós encharcados, guarda-chuvas e crianças brincando faziam parte do cenário onde dois personagens desempenhavam o seu papel: a chuva torrencial e eu. A nossa desavença era visual, qualquer estúpido percebia a diferença entre a sua força, imponência, capacidade de incomodar, e a minha fraqueza, aspecto mendicante e capacidade de odiar. Não só aos estúpidos. Paletó e alegria inclusive. Duas coisas que nunca tive possibilidade de desfrutar. E jamais tive vontade, diga-se. Eu estava num beco que me servia de abrigo há muito. Já havia visto muito daquele canto. Talvez nada que valorize minha vida. Com certeza nada que glorifique a sua. E agora esta chuva! Talvez um jogo, um desafio. Tudo bem, ela tem os ases. Eu tenho a alma. E também o espírito. Ela, a arma. E agora? A chuva.</p>
<p>Podemos mudar de assunto? Nunca valorize tanto o seu inimigo. Já falei tanto do meu que talvez você esteja pensando que estou entregue às baratas. Não! Não estou. Convivo com elas numa boa. Desde que não toquem na minha comida. Essas desgraçadas julgam-se importantes demais. Basta você virar para o lado que lá estão elas de olho grande na sua geladeira, na comida do cachorro, no lixo. Você deve saber.</p>
<p>Não estou falando do bem e do mal. Pelo menos agora. O problema é que talvez você não me compreenda quando eu uso a palavra inimigo, falando da chuva. Não é bem assim. Pode ser que existam boas intenções por trás disso tudo. Como me dar um banho. Realmen­te estou um pouco sujo. A palavra inimigo e meus conceitos emitidos podem estar mal empregados mas, digamos assim, realmente não ando a fim de um banho. Só isso. Por isso me desculpo. Não por mim. Pela palavra. Ela merece muito mais elementos dentro do seu conjunto. Assim como estúpidos. Realmente existem palavras privilegiadas no nosso dialeto percussivo. Enquanto outras bem mais inteligíveis aos inteligentes continuam merecendo pouco batuque na aldeia troglodita. Bastardas. Todos somos.</p>
<p>Um momento! Aquele último da gravata cor-de-rosa acaba de jogar uma bituca das grandes fora. Vou lá pegar e já volto. O último cigarro que senti o cheiro foi daquele bêbado que dormiu aqui semana passada. Péssima marca. Péssimo vinho.</p>
<p>Um dia desses, me cansei do meu beco. Chegara aquela hora em que você começa a se coçar, querendo ir embora. Cansei-me de bêbados e mendigos. Todos tinham menos para contar do que eu. E muito o que filar. Resolvi procurar outro lugar para morar, quer dizer, me esconder. Mas onde? Nessa parte da cidade não restava muita coisa. Já havia me hospedado em quase todos os lugares disponíveis. Quase todos me conheciam na área. E juro que não gostavam nem um pouco da minha presença. Ainda mais agora que meu aspecto era repugnante. Desde que minha mulher morreu, perdi toda a preocupação com o meu jeito. Ela foi envenenada. Algum filho da puta daquela fábrica colocou remédio na comida. Salvou-me o fato de naquele dia não conseguir comer por causa de uma ressaca. Às vezes se consegue boas coisas numa lata de lixo. Naquele dia não. Veneno e um péssimo brandy foi o que conseguimos. Pobre dela. Até que nos dávamos bem com os vigias da fábrica, não sei o que houve. Nunca mais botei os pés lá. Aliás, que me lembre, não tenho estado com os pés no chão desde então. Especializei-me em achar e/ou roubar tragos dos incautos.</p>
<p>Decidi tentar o centro da cidade. Longe das chaminés e bairros proletários. Estava começando a ficar exigente. Juntei minhas coisas (eu mesmo) e me coloquei a caminho. Era uma longa jornada. Come­cei a dormir nas galerias do metrô. Esperava até o último trem passar, todas as pessoas saírem, as luzes se apagarem. Eram poucas horas de sono intranqüilo. Tinha que acordar muito cedo. Qualquer bobeira significaria um choque que com certeza me transformaria no primeiro crioulo com cabelos punk. Às vezes eu descolava um cantinho entre os trilhos e a parede. Era pior. O primeiro trem que passava era suficiente para me deixar dias com síndrome de terremoto.</p>
<p>Acabei desistindo do centro. Não acontecia nada à noite por lá. Travestis e navalhas não fazem meu tipo. Talvez a zona sul. Bons restos. Talvez um dedo de Jack Daniels, uma rapa não lambida, enfim, coisa fina. Baixo Leblon, aqui vou eu. No Gávea talvez me sentisse mais à vontade. A maior parte das pessoas de lá são tão sujas quanto eu. E não por necessidade. É, definitivamente, Leblon, não é lá que vão os Globais?</p>
<p>Foi uma dura jornada, vários dias se passaram até eu chegar. Eu tinha medo das pessoas e andava pelas ruas à noite, tentando evitá-las. Durante o dia ficava em qualquer canto dentro do metrô ou em algum beco. Várias vezes fiquei desesperado. Eu estava enojado dos becos e com medo do metrô. E era só isso que me restava. Pensei várias vezes em me matar. Era verão e eu ansiava por chegar ao meu destino. Porém, mais uma vez meu grande inimigo entrou no meu caminho como uma ducha fria. Literalmente. Foram dias e noites de chuva quase ininterrupta. Eu ainda estava na Glória e por lá fiquei, ironicamente, mais de dez dias na merda, refugiado num sobrado abandonado, na companhia de vários mendigos. Alguns com família inteira. Foi horrível. As crianças eram agressivas demais, viviam me importunando, de forma que sono para mim era sinônimo de pesadelo. Sempre acordava aos sobressaltos com algum pentelho filho da puta me sacaneando. Alguns mais calmos de vez em quando me descolavam alguma coisa para comer. Eu não bebia há dias, sentia frio, precisava de um gole ou dois. Eu tremia, não pelo frio é lógico. Bêbado pobre é foda. E as duas coisas andam de mãos dadas pela estrada. Eis uma coisa que eu precisava naquele momento: andar de mãos dadas pela estrada, com alguém. Como não havia ninguém, eu me contentaria com uma garrafa de um brandy qualquer. Resolvi sair dali antes que eu morresse, de tédio, fome, ou assassinado por um daqueles monstros.</p>
<p>Durante minha jornada rumo ao lugar que pensei ser uma espécie de paraíso, acreditei estar passando pelo verdadeiro. Copacabana, o lugar onde uma pessoa como eu sempre desejou viver. Qualquer coisa que passe por nossa cabeça é possível de ser vista nesta terra de ninguém. Putas, pivetes, bêbados, mendigos e gringos pareciam ser a maior parte da população deste bairro. Muito mais perto de um mundo real do que eu jamais havia visto, era um lugar cheio de mazelas, mas em minhas andanças percebi que não me adaptaria tanto quanto imaginei no início. Minhas condições físicas e materiais não eram as melhores, mas restava ainda meu caráter. Vi ali um instantâneo em miniatura de um retrato muito maior que, ao final de tudo, era fundamentalmente a grande culpada por minha vida miserável. Não precisamos de fortuna, luxos e futilidades. Mas ainda sim, se decidirmos que isso é o que nos trará felicidade, não há de ser com o pensamento fixo em fuder o próximo que nos levará a isso. Então conheci miséria muito pior que a minha, a de espírito. E desta, eles não se livrarão. Saí dali com a idéia que não, não era o verdadeiro paraíso, aquilo era o inferno.</p>
<p>Minha saga prosseguiu até Ipanema, onde vi muitas pessoas bonitas andando pelas ruas, carregando sacolas enormes. Julguei eu serem compras de supermercado até que, numa noite procurando por comida pelas ruas, me dei conta que quase não havia supermercados, apenas lojas e mais lojas de roupas e outras bugigangas. Percebi também, à porta de um Zona Sul, que as pessoas saiam com pequenas sacolas, provavelmente seu almoço e jantar do dia seguinte. Talvez nem isso.</p>
<p>Fiquei confuso com aquele lugar, tantas pessoas às ruas durante o dia como que numa passarela, vestidos com sorrisos de saúde e infelicidade, olhando sempre para um ponto acima da cabeça do mais alto de todos que por ali passavam, falando em celulares cada vez menores, falando, falando… provavelmente sem tempo para se escutarem, sem disposição para uma troca de olhares, uma mão sempre ao telefone, a outra com sacolas. De onde vinham estas pessoas? Não eram as mesmas que eu via saindo do supermercado. Seriam estas últimas habitantes de um subterrâneo que eu desconhecia? Não se vestiam iguais, a postura era diferente, tinham o olhar tristonho, pareciam catatônicas como quem perdeu um ente querido repentinamente. Um estado que eu conhecia muito bem. Não era possível ser este o motivo para tantos vincos naqueles rostos, aquela falta de brilho nos olhos.</p>
<p>Depois de algumas semanas observando de longe, comecei a reconhecer aqueles rostos vincados pela manhã nas filas de bancos, do lado de fora, bem antes deles abrirem. Revia muitos destes rostos durante o dia, às vezes de volta ao banco, em outras carregando suas minguadas sacolinhas de plástico branco, recheadas com a amargura de uma vida inteira de trabalho e esforço que, ao final das contas, cabia em dois sacos. Havia algo de muito errado ali, e não eram estas pessoas.</p>
<p>De uma forma que não esperava, depois de tanto tempo vivendo com eu vivo, tudo o que vi por ali me causou tristeza, pena daquela gente. Tanto os diurnos como os noturnos. Resolvi seguir meu caminho rumo ao oeste, ao meu eldorado.</p>
<p>Finalmente cruzei a fronteira do Jardim de Alah e entrei no território em que julguei ser o lugar da minha salvação. Durante os primeiros dias no Leblon, tive a sensação de estar vendo um filme repetido. Não era muito diferente da Ipanema que tinha visto. A maior diferença era uma maior quantidade de restaurantes, o que me fez ganhar alguns quilos em poucos dias. Foi a fase em que comi melhor em toda vida. Ruas inteiras fervilhando de grandes latas de lixo, lindas, laranjas, minha cor preferida. Pude pela primeira vez me dar ao luxo de escolher que tipo de refeição gostaria de fazer. Tanto poderia ser uma alimentação leve à base de saladas variadas como pratos italianos com mais calorias do que meu corpo suportaria. Foi uma festa.</p>
<p>No meio de toda orgia que acontecia no meu estômago maltratado, acabei esquecendo do meu destino final. Baixo Leblon transformou-se numa vaga lembrança de objetivo. Poderia ficar semanas perambulando antes de chegar lá. Para você que não está familiarizado com a cidade ele fica bem no final do bairro, depois disso a montanha, a área residencial que ouvi dizer ser muito bela. Quem sabe dou um passeio por lá quando acumular mais energia. Isso parecia estar perto.</p>
<p>Passaram-se semanas e uma noite acabei indo até o baixo porque me disseram que lá também haviam muitos restaurantes. Bem, foi só o que eu vi de bom. Não justificou a fama. Depois de algumas idas fiquei sabendo que o movimento tinha se transferido para o Baixo Gávea, mas não fiquei tentado a conhecer. Não com toda aquela comida à minha volta. Sentia-me como um rei. Sem trono, herdeiros ou rainha, mas assim mesmo com a vida boa de um.</p>
<p>Após algum tempo desta temporada gastronômica comecei a freqüentar mais os botequins e isso acabou se tornando um problema. Além da qualidade da comida ser pior, nestes lugares não se pensa muito nela. Comecei a beber como nos velhos tempos, agora não mais para enganar o estômago, talvez para enganar a mim mesmo. Sentia-me só, sempre fui rodeado de amigos, vizinhos, gente das ruas que acabavam se tornando conhecidas. Agora estava num lugar onde não conhecia muita gente, tampouco me interessava em me aproximar delas. Era mais um desfile de personagens, eu sentado na platéia observando. Era bem divertido em muitos momentos, porém fui enjoando daquilo tudo, daquela gente. Não eram como eu. E também não estava gostando do eu que ameaça aparecer novamente.</p>
<p>Resolvi então me aventurar pela área residencial do bairro. Lá vi lindas casas, belos jardins e muitos cães ferozes. Depois de um dia apenas, pensei que perderia todos quilinhos guardados só de correr destes filhos da puta. Eram enormes, com nomes complicados que ouvia quando eram chamados pelos empregados. Comiam de uma vez tudo que eu podia em uma semana. De longe eram bonitos, mas muito pouco amistosos. Mesmo os pequenos eram dotados de uma soberba que me enojava. Definitivamente estava em terra inimiga, onde a qualquer minuto poderia ser atacado por um terrorista dotado de poderosas mandíbulas. Era porém um lugar muito agradável, tranqüilo. Pensei que poderia me fixar por ali em algum canto desde que longe de cães e gatos. Perambulei por aquelas ruas durantes horas, dias, sempre me esquivando de animais e seus donos, de seguranças e armas.</p>
<p>Uma noite encontrei uma casa vazia, muito grande. Os donos provavelmente estariam viajando. Ao lado desta casa havia uma outra menor que era usada como depósito de ferramentas e outras quinquilharias. Nenhum animal por perto. Pensei ter encontrado um lugar perfeito para uma estadia, até que as pessoas retornassem. Lá me acomodei por uns dias, encontrei muitas revistas que me distraíram por um tempo. Estava recolhido e satisfeito por isso, sem muitas emoções fortes, pensando em mim, na vida que levei e em como seria dali para frente. Comecei a sentir fome, meu estoque de provisões tinha se acabado. Resolvi entrar na casa à procura de alguma coisa. Chequei todas portas e janelas, até que vi uma tela solta que me permitiu com pouco esforço entrar em um quarto de empregada. Era ao lado da cozinha e havia uma porta mais adiante, que imaginei ser uma dispensa. Quando estava no meio do caminho, satisfeito pelo êxito da empreitada e já imaginando as delícias que lá encontraria, senti uma pancada muito forte. Caído no chão percebi que tinha tomado uma porrada no pescoço, por trás. Estava paralisado. Não conseguia mexer minha cabeça, e com os olhos procurei por alguma pessoa, um gato, qualquer indício de um agressor que tivesse me tocaiado na escuridão. Não havia ninguém, nenhum som. Apesar da noite escura, estava repentinamente tudo muito claro, conseguia ver cada objeto presente naquela cozinha que estivesse no meu campo visual. Cada reflexo, cada contorno. Senti minhas forças me abandonando e tive a certeza de que havia recebido um golpe letal, que estava morrendo. Ali, sozinho, sem possibilidade de alguma ajuda, iria morrer.</p>
<p>Pensei em tudo que pensam os que estão perto da morte. A vida passou em câmera rápida diante de mim, as luzes do cinema acesas. Senti orgulho de mim mesmo por tudo que eu havia sido. Um vagabundo sim, mas com muito caráter. Um sonhador que ousou viver seus sonhos, apesar de ainda não ter conseguido a maioria. Lembrei da minha mulher, dos meus pais, dos muitos amigos e de quanto fui uma pessoa querida. De quantas situações difíceis passei com a cabeça erguida, sem dever explicações a quem quer que fosse. De todas brigas que tive e venci. E como, ainda jovem, estava eu aqui morrendo solitariamente, golpeado por uma ratoeira.</p>
<address>Marcelo Larrosa – 2006</address>
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